O que Freud nos ensina sobre escrever?
Escrever é registrar pequenos trechos da vida, é uma forma de traduzir o mundo, de dar palavras e elaborar vivências. Na psicanálise, entende-se que escrever mobiliza processos inconscientes: elaboração, interpretação, simbolização, produção de sentidos.
Escrever eterniza o pensamento.
Em “O escritor e a fantasia”, de 1908, Freud propõe que a escrita tem origem no mesmo funcionamento psíquico que aparece na brincadeira infantil. Quando crianças, criamos mundos de fantasia para satisfazer desejos; mais tarde, na adolescência e na vida adulta, esse prazer pode passar a se expressar por meio das fantasias e da criação literária.
Tanto a fantasia quanto a escrita realizam desejos não satisfeitos, funcionando como “sonhos diurnos” que reorganizam a realidade. A escrita, assim como a fantasia, traduz experiências atuais misturadas a lembranças infantis e acompanha as mudanças da vida.
“Assim como o processo de fazer análise costuma levar a uma descoberta muito inovadora na forma de pensar, assim como pensar falando para alguém (o analista) nos leva a lugares muito mais originais em nós do que ficarmos pensando a sós em nossas cabeças, também escrever é uma forma de pensar com algo no corpo para além da cabeça.”
Ana Suy
Texto publicado originalmente no Instagram, em 27 de novembro de 2025.