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Juliana SimõesPsicóloga, CRP 08/42304

TextosEstudos

Freud e a neurose obsessiva: o caso do Homem dos Ratos

Das experiências que a psicanálise me proporciona…

Tive a oportunidade de assistir à peça “Freud e o Homem dos Ratos”, espetáculo da Cia. Inconsciente em Cena. A encenação foi inspirada em um dos casos clínicos mais conhecidos de Sigmund Freud, que aborda a neurose obsessiva, e foi protagonizada por Antonio Quinet e Igor O. Coelho.

A partir dessa vivência, resolvi compartilhar algumas reflexões sobre o caso.

O caso

O “Homem dos Ratos” foi um dos casos clínicos mais conhecidos de Freud. Seu paciente procurou a análise tomado por ideias obsessivas relacionadas ao medo de que algo terrível, uma tortura com ratos, acontecesse com as pessoas que amava.

Freud percebeu que o sofrimento do paciente estava associado a um conflito entre amor e ódio dirigidos às mesmas figuras, especialmente ao pai.

O sintoma como solução de compromisso

Os sintomas obsessivos, como pensamentos intrusivos e rituais repetitivos, expressam desejos inconscientes ambivalentes. Assim, o sintoma é uma solução de compromisso entre o desejo e a censura moral.

O caso do Homem dos Ratos revela a complexidade do funcionamento psíquico, as ambivalências entre amor e ódio que atravessam as relações humanas e a maneira como o inconsciente encontra caminhos para se manifestar, mesmo quando tentamos silenciá-lo.

Um trabalho de escavação

Em um momento da análise, Freud compara o inconsciente às antiguidades de Pompeia, cidade que fora soterrada, mas preservada pelas cinzas e lama vulcânicas.

“O sepultamento significou para eles a conservação. Pompeia sucumbe apenas agora, depois que foi descoberta.”

A análise é, assim, um trabalho de escavação, que toca o que foi soterrado e possibilita novos sentidos ao que ainda insiste em viver.

“Seu amor, ou antes, seu ódio, é mesmo muito poderoso; cria justamente os pensamentos obsessivos cuja origem ele não entende, e contra os quais ele se defende em vão.”

Freud, 1909, “Notas sobre um caso de neurose obsessiva”

Foi um momento de apreciar a arte em diálogo com a psicanálise e, ainda por cima, na companhia de amizades muito especiais!

Texto publicado originalmente no Instagram, em 8 de outubro de 2025.

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