Freud e a neurose obsessiva: o caso do Homem dos Ratos
Das experiências que a psicanálise me proporciona…
Tive a oportunidade de assistir à peça “Freud e o Homem dos Ratos”, espetáculo da Cia. Inconsciente em Cena. A encenação foi inspirada em um dos casos clínicos mais conhecidos de Sigmund Freud, que aborda a neurose obsessiva, e foi protagonizada por Antonio Quinet e Igor O. Coelho.
A partir dessa vivência, resolvi compartilhar algumas reflexões sobre o caso.
O caso
O “Homem dos Ratos” foi um dos casos clínicos mais conhecidos de Freud. Seu paciente procurou a análise tomado por ideias obsessivas relacionadas ao medo de que algo terrível, uma tortura com ratos, acontecesse com as pessoas que amava.
Freud percebeu que o sofrimento do paciente estava associado a um conflito entre amor e ódio dirigidos às mesmas figuras, especialmente ao pai.
O sintoma como solução de compromisso
Os sintomas obsessivos, como pensamentos intrusivos e rituais repetitivos, expressam desejos inconscientes ambivalentes. Assim, o sintoma é uma solução de compromisso entre o desejo e a censura moral.
O caso do Homem dos Ratos revela a complexidade do funcionamento psíquico, as ambivalências entre amor e ódio que atravessam as relações humanas e a maneira como o inconsciente encontra caminhos para se manifestar, mesmo quando tentamos silenciá-lo.
Um trabalho de escavação
Em um momento da análise, Freud compara o inconsciente às antiguidades de Pompeia, cidade que fora soterrada, mas preservada pelas cinzas e lama vulcânicas.
“O sepultamento significou para eles a conservação. Pompeia sucumbe apenas agora, depois que foi descoberta.”
A análise é, assim, um trabalho de escavação, que toca o que foi soterrado e possibilita novos sentidos ao que ainda insiste em viver.
“Seu amor, ou antes, seu ódio, é mesmo muito poderoso; cria justamente os pensamentos obsessivos cuja origem ele não entende, e contra os quais ele se defende em vão.”
Freud, 1909, “Notas sobre um caso de neurose obsessiva”
Foi um momento de apreciar a arte em diálogo com a psicanálise e, ainda por cima, na companhia de amizades muito especiais!
Texto publicado originalmente no Instagram, em 8 de outubro de 2025.