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Juliana SimõesPsicóloga, CRP 08/42304

TextosClínica

E se a pressa para eliminar o sintoma for o que te impede de entendê-lo?

Canto do consultório com sofá claro, almofada cor de terra, uma ampulheta e um relógio sobre a mesa lateral

É comum que as pessoas busquem psicoterapia querendo eliminar, o mais rápido possível, um sintoma.

Mas e se a questão não fosse simplesmente deixar de sentir?

Vivemos em um tempo de imediatismos e soluções rápidas, e isso ressoa inclusive na forma como lidamos com nossas emoções, diante da busca por um ideal quase inatingível: uma vida sem dor, sem conflitos relacionais, sem angústia.

No entanto, na psicanálise, vamos em outra direção. Entendemos que a angústia faz parte da experiência humana: não há vida se não pudermos nos angustiar.

Quem não sente, vive anestesiado da própria existência.

O sintoma não é apenas algo a ser eliminado. Ele foi, em algum momento, a solução possível que o psiquismo encontrou para lidar com aquilo que transbordava.

Na relação entre psicólogo e paciente, é possível construir formas de sentir que não paralisem.

Talvez não se trate de apagar o sintoma, mas de escutar o que ele insiste em dizer. E, a partir disso, sustentar uma vida que possa ser sentida com mais implicação e menos necessidade de silenciamento.

Você já parou para ouvir o que o seu desconforto quer te contar?

Texto publicado originalmente no Instagram, em 20 de abril de 2026.

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